
Te convido a iniciar pelo ponto – Felicidade é o estado natural fundamental do ser vivo – sendo o termo “felicidade” o reencontro com a homeostasia (equilíbrio interno independente do que está acontecendo no externo).
Mais do que o equilíbrio interno, expressar o que somos em essência parece ser igualmente reconfortante…um alinhamento interno que nos leva a agir de acordo com o que sentimos e pensamos, dentro de uma ética de equilíbrio de troca entre o Eu e o Externo.
Quando não estamos em homeostase (equilíbrio) geramos sintomas…e o gerar sintoma vem do fato de que a realidade não se mostra como gostaríamos que ela fosse ou a realidade não está correspondendo as expectativas geradas pelo ser.
As expectativas que geramos sobre a vida (tudo aquilo que queremos receber da vida, incondicionalmente) é regido pelo princípio do prazer que se opõe ao princípio da realidade.
Sim, nos é autorizado ter prazer de viver, a despeito de toda culpa e medo ensinado historicamente à humanidade.
Não podemos mudar o que é, porque não nos cabe mudar o outro ou exigir que o meio em que vivemos seja dessa ou daquela forma, mas se estivermos praticando o princípio do prazer ou da felicidade nata, estaremos contribuindo para uma realidade mais flexível e ética.
Conhece aquela máxima…quem está feliz não incomoda? Ou, quem ama a si mesmo, não manipula, não exige, não espera pelo outro para ser feliz e mais, valoriza a vida em todos os aspectos.
O princípio da realidade somente pode ser enxergado pelo adulto, que compreende que o equilíbrio interno está sob sua responsabilidade total e está intimamente ligado ao amadurecimento no autoconhecimento, mais do que isso, ao indivíduo que é intimo de si mesmo.
A insatisfação ou a recusa de não enxergar o que é gera uma emoção, e o que fazemos com essa emoção é a causa de todo o sintoma, conflito, doença, repetição que geramos em nossa vida, tudo tudo tudo inconscientemente.
E é nesta causa (na forma como a emoção advinda de uma frustração/insatisfação/trauma/fato/percepção é somatizada pelo indivíduo e gera sintomas), que o movimento sistêmico atua trazendo consciência, liberação, aprendizado.
Precisamos compreender que não há nada de errado com a emoção – o que precisamos saber é que a emoção é a gravação de um instante vivido e que, se esse instante foi vivido como um conflito, impacto, drama sem solução, solitário e sem possibilidade de compartilhamento, a emoção gera um desequilíbrio que se manifestará por um sintoma.
Por esse caminho, podemos pensar que o sintoma nada mais é a possibilidade da solução de um conflito anterior a ele, uma espécie de lembrança de algo que foi negligenciado, renegado, recalcado, minimizado, demonizado, abafado, oprimido por você ou por alguém do sistema a que você pertence e com quem você ressoa inconscientemente.
Os desequilíbrios, conflitos, adoecimentos da alma ou do corpo físico, frustrações, desilusões, desafios… nada mais são do que uma lembrança daquilo que você precisa equilibrar para chegar ao ponto de partida pelo qual iniciamos aqui, que é a felicidade como estado natural do seu ser.
Não somos educados a ser felizes…somos educados à negligenciar as emoções, até que elas se manifestem através de desequilíbrio, ou doença, ou conflito ou sofrimento, etc…foi assim com seus antepassados, num nível muito mais repressor, e é assim para nós viventes da atualidade, num nível mais sútil e inconsciente.
Fato é que podemos contar com inúmeras ferramentas de autoconhecimento e a Constelação Familiar ou Movimento Sistêmico é uma delas.
Temos dois caminhos:
O primeiro, manifestar as emoções por procuração, ou seja, cultivando cegamente ídolos, dogmas, crenças, pertencendo a determinado grupo ou causa ou luta, se utilizando de comida, bebida, diversão, chorar ou rir ao assistir um filme, ler um livro, viver nas telas apreciando a vida alheia, anestesiando o autoconhecimento e se utilizando de válvulas de “scap” de toda ordem, que nos aprisionam na inconsciência.
O segundo caminho é se utilizar de ferramentas para descobrir a causa de nossos sintomas pessoais, que estão nos roubando o equilíbrio interno.
Reconhecer que temos o direito natural de vivermos em felicidade é reconhecer que tanto nossos antepassados como nós, reprimimos nossas necessidades, fomos expostos em nossa vulnerabilidade, que carregamos dores, conflitos internos, decepções, renúncias traumáticas, sofrimentos que podem ser expressos, re-sentidos, ressignificados, nomeados e acolhidos por uma consciência que só cabe a nós escolher..e sim, podemos escolher.
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